domingo, novembro 18, 2007

Nuno Vaz

O talento a pensar na evolução

Vencedor de Trompa, solista nível superior, na 21ª Edição do Prémio Jovens Músicos 2007, concurso realizado pela Antena 2/RTP, Nuno Vaz foi um dos premiados mais aplaudidos no Concerto dos Laureados na Gulbenkian.

Ganhar o Prémio Jovens Músicos é, para Nuno Vaz, motivo de “felicidade e satisfação”, mesmo para quem já arrecadou o sexto lugar a nível mundial no “International Performer’s Competition 2006” em Brno, na República Checa. A preparação para o concurso implicou “grande responsabilidade” e, principalmente, a “abstracção de todas as coisas boas que o Verão tem”, tendo em conta que “grande parte do tempo foi passada em férias lectivas”.

No Concerto dos Laureados, no passado cinco de Outubro, no Grande Auditório da Gulbenkian, Nuno Vaz interpretou o 3º andamento do 1º concerto para Trompa de Richard Strauss, tendo sido entusiasticamente aplaudido por uma claque que se deslocou propositadamente da sua terra natal – Vizela. “Sentimo-nos muito apoiados e ficamos felizes por saber que temos amigos, não só para beber uns copos, mas também para estarem connosco neste magníficos momentos”, sublinha o jovem trompista.

A Câmara Municipal de Vizela “expressa o mais profundo e sincero regozijo pela vitória de Nuno Vaz”, ao lhe atribuir um “Voto de Louvor como sinal da mais veemente e sincera admiração assim como satisfação pelo seu desempenho cultural e artístico”. Mas para Nuno, “o mais importante é a família”, que tem a certeza estar orgulhosa de si.


Nasceu em Vizela em 1986 e foi lá que iniciou os seus estudos musicais na Sociedade Filarmónica Vizelense com os professores Costa Vieira, José Guerra, Carlos Pedro Marques e Guilherme Vieira. No entanto, os estudos de Nuno Vaz não ficaram por aqui: “Felizmente houve quem me ajudasse a ser mais do que um simples músico de banda e fez com que concorresse à ARTAVE, e isso fez-me crescer bastante”. Continua ligado à Banda Filarmónica e à Orquestra Ligeira de Vizela, sendo também professor na Academia de Música da Sociedade Filarmónica Vizelense.

Depois de ter passado pela Academia Valentim Moreira de Sá em Guimarães, ingressou na ARTAVE na classe de um dos seus trompistas de eleição – Hélder Vales. Todavia, a sua “principal referência” a nível da Trompa é Abel Pereira, com quem estuda actualmente na Academia Nacional Superior de Orquestra, em Lisboa.

Colaborou em várias orquestras, entre as quais a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Nacional do Porto e Orquestra Sinfonieta de Lisboa. Adora tocar em orquestra, contudo a sua experiência estende-se a outras formações. É também membro fundador do Quarteto de Trompas ART4ORN e do Ensemble Português de Trompas. Com este grupos apresentou-se no “International Chamber Music Festival” em Stellenbosh, na África do Sul e já tem concertos agendados por todo o país.

“Saber sempre que quando estamos mal temos de fazer tudo para que as coisas se resolvam” é, para Nuno, um dos princípios que um músico deve ter em conta na sua formação. “Precisamos sempre de ser bastante humildes. Infelizmente há muita gente que não tem respeito pelo trabalho de outros músicos, o respeito e a amizade são também valores muito importantes”, acrescenta.

Nuno Vaz defende que desde o início da carreira que os músicos devem ser “capazes de resolver as coisas sem a ajuda do professor”, uma vez que vai chegar o momento em que não vão ter professor para o os ajudar e se não estiverem preparados “vai ser muito duro.”

Com vários recitais programados para a temporada 2007/2008, Nuno explica que “o plano é tocar sempre e pensar na evolução”.

terça-feira, novembro 13, 2007

Quarteto Índigo



Quarteto Índigo na final do Prémio Jovens Músicos

Reportagem na Única (Expresso)

"Ana juntou ao nome o apelido Madonna. Prostituta no Brasil, traficada para a Europa, foi torturada e levou 15 anos viciada em toda a droga que apanhava. Hoje ajuda ONG no combate à toxicodependência ao tráfico humano."

Maria de Paz Tréfaut, na revista "Única" do Expresso, 10 Novembro 2007

"Retornei ao Brasil magra como uma doente de sida em fase terminal. Mas depois de sair da clínica, entrei novamente nas drogas. Sem esperança e sem dinheiro, fui para o porto de Santos vender cocaína para os gringos e para as prostitutas em troca de algumas carreiras para cheirar. Aí fui convidada para ser traficante. Aceitei. Punha os papelotes dentro da calcinha e do sutiã e entrava nas boîtes para vender. Vendia muito, mas consumia todo o lucro.

Até que um dia vi a mãe de um rapaz chorando na rua, desesperada, pelo filho traficante. Na hora, lembrei do meu filho. Não queria aquilo para ele e não era aquela vida que queria para mim. Eu já tinha visto muita coisa, muita gente morrer. Já tinha participado em assaltos à mão armada, visto gente levar facada, cortar a cara de outra pessoa. Caí na real e fugi. No início, os traficantes me procuraram. Mas fui internada e quando voltei ninguém mais me incomodou - acho que a maioria foi presa ou morreu.

(...) Durante quase 15 anos usei drogas todos os dias. Perdi o olfacto devido à cocaína. Recuperada, aprendi a valorizar a minha família e a amar Deus sobre todas as coisas. Ainda sonho casar e ter mais um filho. Quem sabe com um português, que leia esta reportagem."

Ana Madonna, ex-prostituta, na revista "Única", do Expresso, 10 Novembro 2007

sexta-feira, novembro 09, 2007

Banda de Amares



Podemos ver as imagens dos momentos de Itália que fizeram história em Amares...
Parabéns!

Paulo Ricardo Barbosa e Ricardo Pereira



Os meus queridos Paulo Ricardo Barbosa e Ricardo Pereira em alta... Só não percebi como podem chamar trompete a um trombone :)

Escola de Música da Banda Amares

terça-feira, novembro 06, 2007

Epígrafe

Nasceu um novo projecto online relacionado com o jornalismo...

Chama-se Epígrafe e está situado em http://epigrafe.wordpress.com

Visitem!

segunda-feira, novembro 05, 2007

"Estes são os músicos do futuro"

"Cuidado! Dos conservatórios, das escolas profissionais ou das escolas superiores de música andam a sair perigosos talentos que estão a mudar o panorama da música portuguesa. Estão a desfazer as ideias feitas sobre a realidade musical do país. Não lamentam, fazem. Não ficam à espera. Atiram-se de cabeça àquilo que mais amam: a música. O Prémio Jovens Músicos tem revelado, nos últimos 20 anos, alguns desses jovens intérpretes que sabem bem o que querem. Músicos portugueses do futuro."

Pedro Boléo, in Público, segunda-feira, 05 Novembro 2007


Estas são as primeiras linhas de duas páginas que o Público dedica na edição impressa de hoje ao Prémio Jovens Músicos. Comprem e leiam! (não só hoje, mas sempre :))

quinta-feira, novembro 01, 2007

Walk the Line

Um filme a não perder com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon...




Opinião: Banda Musical de Oliveira

Uma associação, como o próprio nome indica, implica uma união de pessoas. Como qualquer conjunto de indivíduos, uma associação integra diferentes personalidades nem sempre dispostas a ceder e a partilhar os mesmos valores, o mesmo espírito. Quando assim acontece a parte afecta e pode pôr em risco o todo. Todavia, se for uma verdadeira associação podemos dizer que “a união faz a força” com a vitória da camaradagem, da humildade, do respeito pelos outros, da vontade de fazer mais e melhor para o bem de todos.

Vivi duas épocas distintas na Banda de Oliveira. A primeira levou-me, inclusive, a afastar-me por cinco anos, sem saudades. Confesso que regressei a medo, sem saber o que me esperava. Dois anos depois vejo uma outra banda, outras pessoas que têm alimentado um ambiente de camaradagem fantástico num esforço igualmente notável por evoluir musicalmente. Fazer novas amizades, partilhar ideias e sentimentos, construir uma espécie de família, onde também é possível fazer música.

O passado domingo veio provar o que se foi construindo, a solidariedade em todos os momentos, a união, o entusiasmo e a nostalgia de uma mudança. Festejar 225 anos é, mais do que louvar o passado é brindar ao presente de olhos postos no futuro. E serão os mais novos a fazê-lo, com o fôlego de quem sopra 225 velas enquanto vozeia os parabéns!

Claro que sem os antepassados não chegaríamos aqui, mas sem a nossa força também não seria possível continuar e abrir caminho aos nossos sucessores para que daqui a 225 anos continue a existir a Banda Musical de Oliveira.


Sandra Bastos
31 Outubro 2007

terça-feira, outubro 23, 2007

Samuel Bastos

“Muita dedicação e tranquilidade”

Samuel Bastos ganhou o 1º prémio, categoria A, solista nível superior de Oboé, na 21ª Edição do Prémio Jovens Músicos 2007, concurso organizado pela Antena 2/RTP. A sua interpretação no concerto dos laureados foi também galardoada com o Prémio Maestro Silva Pereira.


Samuel Bastos trabalhou muito para este concurso, por isso ganhar o Prémio Jovens Músicos e o Prémio Maestro Silva Pereira compensa “todo o esforço, dedicação e preparação”. Primeiro deve-se “fazer uma boa prova” e dar o “máximo nesse momento”, depois “trabalhar” e “tentar conseguir algum prémio”, explica o jovem oboísta. “O importante é participar no concurso, é uma boa experiência para todos, obriga-nos a trabalhar, consequentemente evoluímos muito em pouco tempo”, acrescenta.

Para Samuel “a escolha do reportório pode ser decisiva”, uma vez que “todos os candidatos que se encontram numa final são muito fortes, com níveis bastante iguais”. Na prova final interpretou a Sequenza de Berio, “uma obra não muito tocada em Portugal”, mas “de grande dimensão e elevada dificuldade”. Para o Concerto dos Laureados, no passado dia cinco de Outubro, preferiu o “famoso concerto de Mozart”, o que lhe dava “mais tranquilidade”, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, onde foi aplaudido por uma claque que se deslocou propositadamente da sua terra natal – Oliveira, Barcelos – para lhe dar apoio: “quero agradecer a todos aqueles que me vieram apoiar, foi com enorme alegria que os recebi, foi uma noite inesquecível tanto para mim como também para eles”.

Como vencedor do Prémio Jovens Músicos, recebe um valor pecuniário de 2000 euros, terá direito a gravar para a Antena 2, onde também participará no CD Laureados PJM 2007, e a realizar concertos na Casa da Música e com a Orquestra do Algarve. O Prémio Maestro Silva Pereira no valor de 2500 é destinado exclusivamente a aperfeiçoamento artístico no estrangeiro. Samuel irá aplicar os prémios “em formação e viagens”.

Nascido em 1987, Samuel Bastos iniciou os seus musicais com o seu pai, Cândido Bastos, aos 7 anos de idade. Em 1997, foi admitido no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, tendo em 2005 concluído o 8º grau de Oboé com a classificação máxima, na classe do professor José Fernando Silva. No ano 2005/2006 estudou na Escola Superior de Música de Lisboa com o professor Andrew Swinnerton. Actualmente prossegue os seus estudos na Zürcher Hochschule der Künste (Suiça) na classe dos professores Martin Frutiger (Corne Inglês) e Thomas Indermühle (Oboé). Escolheu Zurique pelo professor: “é um excelente professor, pedagogo, já com uma vasta experiência de solista e também de professor”. Uma nova cultura, onde se destaca a diferente “mentalidade de trabalho que existe nas escolas de ensino, em alguns docentes e no próprio país”.

Samuel Bastos foi também laureado com o 1º Prémio no Concurso Internacional para Giovani Interpreti ´´Cittá di Chieri`` 2005, em Itália, e na 17ª edição do Concurso promovido pela YMFE (Yamaha Music Foundation of Europe, 2006). Integrou diversas orquestras de jovens, sendo de destacar a Orquestra D´Harmonie da União Europeia 2007 e a Orquestra de Jovens da União Europeia (E.U.Y.O - 2004) sob a direcção de Jan Cober, Lutz Köhler e Paavo Järvi. Na temporada de 2005/2006, foi seleccionado para a L´Orchestre des Jeunes de la Mediterranée. Colaborou com a Orquestra de Câmara de Braga, Orquestra Sinfónica da Povoa de Varzim, Orquestra de Câmara do Minho, Orquestra do Norte, Orquestra do Algarve, Remix Orquestra, Orquestra Sinfonia Varsóvia e Orquestra Gulbenkian. Apresentou-se a solo com a Orquestra de Jovens de Barcelos, Orquestra dos Conservatórios Oficiais de Música, Orquestra do Norte e Orquestra Gulbenkian sob a direcção de António Baptista, Florin Totan, Alberto Lysy e Osvaldo Ferreira. É membro do Ensemble Palhetas Duplas e membro fundador do Trio de Palhetas ´Trio Animatto`, laureado com o 2º Prémio no Concurso Prémio Jovens Músicos (RDP-2005) na modalidade Música de Câmara – nível médio. Samuel é bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

Embora ligado ao mundo filarmónico, a formação musical de Samuel não passou pelas bandas. Como o pai já era músico assim como alguns membros da família, “iria estudar música independentemente de estar numa filarmónica ou não”. O ingresso posterior no conservatório, por força dos pais, foi decisivo: “a partir daí até hoje é que tive a verdadeira formação para quem quer levar a música como uma profissão”. Para se viver no mundo musical é necessário “muito trabalho, muita humildade, interesse e dedicação”. No caso particular do estudo do Oboé, é fundamental ter “muita paciência no início visto que é também um instrumento de enorme dificuldade”, principalmente no que respeita à “construção de palhetas”.

Para já Samuel Bastos não faz grandes planos para o futuro, apenas quer “continuar a trabalhar e viver um dia de cada vez com muita dedicação e tranquilidade”.

Sandra Bastos
23 Outubro 2007

O Oboé nas Filarmónicas

"Quando comecei a estudar oboé não era muito comum este instrumento nas filarmónicas. Graças à minha família que já tinha algum conhecimento musical, eu decidi por mim estudar oboé e não clarinete, trompete, etc, os instrumentos que as filarmónicas incutem sempre aos aprendizes. Também é verdade que a nível proporcional há muita mais gente a querer tocar clarinete, trompete, etc, do que oboé, derivado de uma má informação e mesmo em algumas filarmónicas uma ignorância musical, neste caso instrumental.

Se pensarmos bem, muitas das obras que se tocam nas filarmónicas são transcrições de orquestra, por exemplo: 1812, Príncipe Igor, Força do Destino, Capricho Italiano, Guilherme Tell etc. Mesmo as obras escritas para sopros como por exemplo: Fate of the Gods, Cassiopeia, Ross Roy, Paisagen Ribatejana, Arco Íris, etc, todas têm solos e intervenções importantíssimas que têm de ser feitas pelo oboé porque se não, não faz sentido nenhum, estamos a tirar todo o brilhantismo da obra!

O oboé numa filarmónica é igualmente importante como o primeiro clarinete solo ou o primeiro trompete solo ou como qualquer outro instrumento. Na minha opinião, uma Filarmónica tem de ter, no mínimo, para executar as obras de grande dificuldade e mesmo as de menor, 2 oboés, 1 flautim solo, 1 requinta, 2 fagotes, 1 clarinete-baixo , 4 trompas, 2 feliscornes, 1 trombone baixo, 2 tímpanos de concerto, 1 marimba, carrilhão de sinos e Glokenspiel (Lira... espero não me ter esquecido de mais algum.

Alguns destes instrumentos são muitas vezes esquecidos, o que leva que muitas das obras não sejam tocadas com a instrumentação original, sendo bastante mau para quem ouve e também para o resultado final de cada obra.


Penso que este é o melhor caminho para que todas as filarmónicas possam evoluir e consequentemente termos melhor qualidade. Aquelas que vivem mal informadas e que contêm alguma ignorância musical ficam para tráz e não saem do mesmo patamar.

Era bom para o bem de todos e para a música filarmónica que os músicos, maestros, directores, e público em geral pensassem nisto".

Samuel Bastos, oboísta

sexta-feira, outubro 19, 2007

Paulo Ricardo Barbosa

O mais importante é a humildade

Paulo Ricardo Barbosa é um dos elementos do Quarteto de Clarinetes Índigo, recentemente premiado com o 3º lugar em Música de Câmara, nível superior, na 21ª Edição do Prémio Jovens Músicos 2007 da RTP/Antena 2.


“Uma gratificação pelo trabalho que temos feito” é o significado deste prémio para Paulo Ricardo Barbosa, além de ser também “um incentivo para mais concursos e mais estudo”. O mais difícil foi mesmo “arranjar tempo e local para fazer ensaios”, uma vez que são “os quatro de cidades completamente diferentes e distantes”. Depois é preciso controlar o nervosismo que “pode pôr em causa na prova uma semana inteira de trabalho”.

Os membros dos Quarteto Índigo têm a vantagem de já se conhecerem há alguns anos e de terem “uma relação muito boa que leva a um melhor ambiente” nos ensaios, concertos e provas. “Apoiamo-nos sempre uns aos outros, independentemente de correr bem ou mal”, diz o clarinetista.

A estudar em Castelo Branco, na Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART), tal como os outros colegas do Quarteto, Paulo Ricardo frequenta o terceiro ano da licenciatura em Clarinete, na classe do professor Carlos Alves. Satisfeito com o estabelecimento de ensino que escolheu, considera que “é uma Escola que em Música tem muito companheirismo, as pessoas conhecem-se, dão-se todos muito bem. O ambiente é bom para estudar, é calmo, não há stress. Há tempo para tudo!”. Mas o principal motivo por que optou pela ESART foi o professor Carlos Alves, a referência da escola francesa que procura seguir: “o meu professor como humano é muito acessível e apoia-nos. Como instrumentista é muito bom, é um exemplo a seguir.”

Natural de Oliveira – Barcelos, Paulo Ricardo Barbosa nasceu a 30 de Julho de 1986 e teve na família uma grande influência musical, nomeadamente nos seus tios Avelino e Cândido e no seu primo Alberto Bastos. Este último foi “o principal apoio até hoje”. Em 1997, foi admitido no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, na classe do professor José Matos. Posteriormente, teve como professores Manuel Moura e Paulo Marques Matias, terminando o 8º grau com a classificação de 19 valores. Paralelamente, frequentou cursos de aperfeiçoamento de clarinete com os professores Carlos Alves, Luís Silva, Nuno Pinto, Carlos Marques, Manuel Moura, Jesus Villa Rojo e Henrique Perez Piquet. Trabalhou também com os professores Alberto Bastos e Carlos Ferreira.

Do seu percurso, Paulo Ricardo destaca a entrada na Escola Superior, a conquista de uma menção honrosa com o Quarteto Índigo num concurso internacional em Itália e o Prémio Jovens Músicos; a conquista do 1º Prémio da Banda de Amares num concurso em Itália e, recentemente, a entrada na Orquestra de Sopros da União Europeia, sob a direcção de Jan Cober. Passou também pela Orquestra de Jovens dos Conservatórios Oficiais de Música; Orquestra Nacional de Sopros dos Templários; Orquestra do Norte; Orquestra de Câmara de Braga; Orquestra Sinfónica de Viana do Castelo; Orquestra Juvenil de Barcelos; Orquestra do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga e Orquestra Sinfónica da ESART .

O jovem clarinetista quer, sobretudo, sentir-se “realizado” com a música que faz. Para já quer acabar a licenciatura “com boa classificação, sentir que valeu a pena” e, mais tarde, talvez “fazer um mestrado”.

Para Paulo Ricardo Barbosa “a música é muito difícil mas é das artes mais bonitas e gratificantes. É difícil mas vale a pena”. O mais importante é a “humildade”, embora também seja necessário “muito trabalho, dedicação, fazer as coisas bem e com gosto, independentemente do tipo de público que está a ouvir”.

Texto e fotos: Sandra Bastos
19 Outubro 2007

quinta-feira, outubro 18, 2007

Quarteto Índigo conquista 3º lugar no Prémio Jovens Músicos


Constituído por Carlos Silva, Luciana Guimarães, Cláudia Macedo e Paulo Ricardo Barbosa, o Quarteto de Clarinetes Índigo arrecadou o 3º Prémio em Música de Câmara, nível superior, na 21ª Edição do Prémio Jovens Músicos 2007 da RTP/Antena 2.

Juntaram-se, em 2006, na disciplina de Música de Câmara da Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco e desde aí que se apresentam em palco não só no distrito de Castelo Branco mas também em Viseu, Braga e Porto, onde estrearam uma obra de Osvaldo Fernandes, aluno finalista de Composição.

O Quarteto Índigo participou também no Festival de Música Clássica da Beira Interior em 2006 e no Festival Internacional de Castelo Branco, Primavera Musical em 2007. Destaca-se a sua presença no "8° Festival Internazionale dei Duchi d'Acquaviva - Atri - Italia", onde conquistou o 4º lugar.

Já gravou para a Antena 2/RDP e tem como principal objectivo "dar a conhecer o instrumento, procurando ir ao encontro das necessidades culturais do público."


Fotos gentilmente cedidas pelo Quarteto Índigo

quarta-feira, outubro 17, 2007

Félix Alonso Duarte

“Quando se ama a música de verdade…”

Félix Alonso Duarte ganhou o 3º prémio, categoria A, solista nível médio, na 21ª Edição do Prémio Jovens Músicos 2007, concurso organizado pela Antena 2/RTP. Uma conquista marcante para o jovem violinista de Braga.


Um prémio com “muitos significados”. É assim que Félix Duarte fala do 3º Prémio de Violino, nível médio, no Prémio Jovens Músicos 2007: “Foi um grande salto na minha vida artística como também pessoal... fez-me sentir que vale a pena lutar e trabalhar no duro para conseguir alcançar algo que nos faça sentir realizados”. Um trabalho de preparação intenso desde Julho, numa corrida contra o tempo, com o estágio da Orquestra Momentum Perpetuum e um masterclass com Gerardo Ribeiro pelo meio, sem descanso. Muitas horas a estudar no Conservatório e mesmo aos fins-de-semana ia para casa do professor “para que o trabalho fosse contínuo e pudesse ser visto ao pormenor”. Félix admite que “é preciso realmente amar-se muito a música para se passar por tudo isto...”. O prémio, no valor de 400 euros, deverá ser aplicado em cursos, masterclasses, estágios e melhoramentos no instrumento.

Perto de completar 17 anos, Félix Duarte estuda no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, desde os 5 anos de idade, com o professor Joaquim Matos. No entanto, a sua maior influência musical é o seu próprio pai. “Ensinou-me a maior parte das coisas que eu sei a respeito de música, quer conhecimento amplo de obras, vida de compositores, teoria. Ainda hoje aprendo muito com ele…”, diz o jovem violinista. Venera grandes lendas do violino como David Oistrakh, Heifetz, Itzhak Perlman e Maxim Vengerov. Admira também Gerardo Ribeiro e Aníbal Lima, com quem “desejava muito estudar”. Todavia, não esquece o professor Joaquim Matos, definindo-o como o “ídolo”, que o ajudou e muito fez por ele.

A experiência musical de Félix Duarte estende-se a concursos e estágios de orquestra. Em 1999, obteve o 3º prémio no I Concurso Regional de Instrumentos de Arco, no ano seguinte alcançou o 2º prémio ex-acquo e, em 2003, o 3º prémio. No Verão deste ano conquistou também o 3º prémio no Concurso de Violino no Fundão. Em orquestra, participou nos estágios da OJ.COM (Orquestra de Jovens dos Conservatórios Oficiais de Música) de Aveiro, em 2004, sob a direcção de Ernest Schelle; de Braga, com Martin André (onde foi concertino), em 2006; e dos Açores, com Pio Salloto, em 2007. Participou igualmente no estágio de Barcelos, em 2006, com Florin Totan. Tocou a solo com a Orquestra do Conservatório de Braga, no presente ano, com António Baptista. Actualmente é membro e concertino da Orquestra Momentum Perpetuum sob a direcção do maestro inglês Martin André.

Félix gostaria de aprofundar o trabalho em Música de Câmara, tendo em conta que “é algo muito importante para um músico”, além de “ser das formas musicais mais difíceis” que “obriga realmente a trabalhar duma forma muito séria e rigorosa quer o conjunto quer a parte individual”. Os projectos não se ficam por aqui. Desde pequenino que Félix Duarte sonha ser maestro. Tocar numa grande orquestra seria também “algo realmente fantástico”, embora se note cada vez “mais rivalidade entre os músicos nas orquestras, o que é bastante mau.” Por isso o ideal seria “fazer parte de uma orquestra grandiosa mas com um enorme espírito de companheirismo e acima de tudo todos quererem realizar a melhor música possível”. Espera agarrar as oportunidades num mundo “complicado”, mas salienta que “quando se ama a música de verdade, vale a pena lutar por ela”.

Para Félix, ser violinista implica “um longo caminho a percorrer e engloba tantas coisas que é preciso uma atenção máxima em todos os pormenores”. Assim, “muito trabalho, paciência, vontade de fazer as coisas, humildade, esforço, perseverança e amor pela música” são os valores que considera mais relevantes na formação de um músico. Deixa também uma sugestão: “Acima de tudo podermos saborear o momento quando realizamos as coisas... levarmos a música ao nosso lado mais profundo e inspirador...”.

Texto e fotos: Sandra Bastos
17 Outubro 2007

segunda-feira, outubro 15, 2007

Congresso Nacional de Trompas

Uma notícia sobre o Congresso Nacional de Trompas...

Diário Digital

Fotos:

Bernardo Silva

Abel Pereira

Simon Breyer

Tod Scheldric Nuno Vaz

Jonathan Luxton
Novos Talentos...
Ensemble Português de Trompas

Diego Rivera e Frida Kahlo

"Em 1939, Diego e Frida separaram-se, mas no ano seguinte, como não podiam viver um sem o outro, voltaram a casar-se.
Eloesser, médico da pintora, foi um dos responsáveis pela reconciliação. Perante a crise nervosa de Frida, disse-lhe que a melhor solução seria voltar para Rivera: "Diego ama-te muito e sei que tu também o amas. Naturalmente, e isto é irrefutável, além de ti, ele ama mais duas coisas: a pintura e as mulheres em geral".

Bruno Horta, em revista "Sábado" de 11 a 17 Outubro 2007

Nos bastidores das orquestras

"Quem disse que as orquestras americanas só atraem meninos de coro? (...) Blair Tindall desfaz a imagem romântica associada à música clássica. O desemprego, os horários estranhos e o factor "cunha" explicam todos os excessos - em especial nos anos 80. Havia cocaína a circular nos bastidores e sexo em locais improváveis. Agora chegou a fase da ressaca, com as depressões."

Revista "Sábado" 11 a 17 Outubro 2007
Texto: Raquel Lito

domingo, outubro 07, 2007

Concerto para Oboé de Mozart

Em homenagem ao meu irmão Samuel por ter ganho o Prémio Jovens Músicos e o Prémio Maestro Silva Pereira publico um vídeo do You Tube, com o grande oboista Holliger a tocar o primeiro andamento do Concerto para Oboé de Mozart, a mesma obra que o meu irmão interpretou na Final e no Concerto dos Laureados.

Samuel Bastos vence Prémio Maestro Silva Pereira



O Concerto dos Laureados do Prémio Jovens Músicos distinguiu Samuel Bastos como a melhor interpretação, sendo-lhe atribuído o Prémio Maestro Silva Pereira, no valor de 2.500 euros, destinado ao aperfeiçoamento artístico no estrangeiro.



Vencedores Prémio Jovens Músicos 2007

Vencedores do Prémio Jovens Músicos 2007



Voz Solista - Nível Superior

1º Prémio - Fernando Guimarães

2º Prémio - Não atribuído

3º Prémio - Raquel Camarinha


Violino - Nível Médio

1º Prémio - Tamila Kharambura

2º Prémio - Pedro Rodrigues Lopes

3º Prémio - Félix Alonso Duarte



Violoncelo - Nível Superior

1º Prémio - Gonçalo Fernandes Guedes Silva

2º Prémio (ex-aequo) - Fernando Manuel Ferreira de Gomes

2º Prémio (ex-aequo) - Miguel Nuno Soares Fernandes




Música de Câmara - Nível Médio

1º e 2º Prémios - Não atribuídos

3º Prémio - Trio Fermata
(Luís Costa - Piano; Tiago Coimbra - Oboé; Fernando Costa - Violoncelo)


Música de Câmara - Nível Superior

1º Prémio - ArtZen Quartet
(Ana Pereira e Ana Filipa Serrão - Violino; Joana Cipriano - Viola; Carolina Matos - Violoncelo)

2º Prémio - Duo Yin & Yang
(Paulo Marques e Leandro Teixeira - Marimba)

3º Prémio - Quarteto de Clarinete Índigo
(Paulo Ricardo Barbosa, Carlos Silva, Luciana Guimarães e Cláudia Macedo - Clarinete)




Oboé - Nível Superior

1º Prémio - Samuel Castro Bastos

2º Prémio - Não atribuído

3º Prémio - Andreia Sousa Pereira



Clarinete - Nível Médio

1º Prémio - Horácio Almeida Gonçalves Ferreira

2º Prémio - Diogo José Rocha Ferreira

3º Prémio - Frédéric da Silva Cardoso


Trompa - Nível Superior

1º Prémio - Nuno Miguel Nunes Vaz

2º Prémio - Ricardo Manuel Teixeira Matosinhos

3º Prémio - Não atribuído




Percussão - Nível Superior

1º Prémio - Não atribuído

2º Prémio - João Carlos Duarte Pacheco

3º Prémio - Nuno Tiago Ferraz Simões

quinta-feira, outubro 04, 2007

Concerto dos Laureados do Prémio Jovens Músicos

PRÉMIO JOVENS MÚSICOS 2007

CONCERTO DOS LAUREADOS

5 DE OUTUBRO – 19H00

(em directo na Antena 2)


Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Orquestra Gulbenkian
Osvaldo Ferreira, direcção



Manuel de Falla
Dança ritual do fogo de O Amor Bruxo

Wolfgang Amadeus Mozart
1º andamento do Concerto p/ violino e orquestra Nº4 em ré maior, K.218
Tamila Kharambura, violino
(1º Prémio violino - Nível Médio)

Carl Maria von Weber
3º andamento do Concerto p/ clarinete e orquestra Nº1 em fá menor, Op.73
Horácio Gonçalves Ferreira, clarinete
(1º Prémio clarinete - Nível Médio)

Antonín Dvorák
1º andamento do Concerto p/ violoncelo e orquestra em si menor, Op.104
Gonçalo Guedes Silva, violoncelo
(1º Prémio violoncelo - Nível Superior)

Wolfgang Amadeus Mozart
Ária Ich baue ganz da ópera O Rapto do Serralho
Fernando Guimarães, tenor
(1º Prémio Voz Solista - Nível Superior)


INTERVALO


Alexandre Delgado
Pequena Suite Laurissilva
Artzen Quartet - Ana Pereira e Ana Filipa Serrão (vl).
Joana Cipriano (vla). Carolina Matos (vlc)
(1º Prémio Música de Câmara - Nível Superior)


Wolfgang Amadeus Mozart
1º andamento do Concerto p/ oboé e orquestra Nº1 em dó maior, K.314
Samuel Castro Bastos, oboé
(1º Prémio oboé - Nível Superior)


Richard Strauss
3º andamento do Concerto p/ trompa e orquestra Nº1, Op.11
Nuno Vaz, trompa
(1º Prémio trompa - Nível Superior)


Zoltán Kodály
Danças de Galanta

Joly Braga Santos
Staccato Brillante

terça-feira, setembro 25, 2007

Schumann: Concerto para Quatro Trompas

Outra preciosidade...



Trompa: Herman Baumann class

Uma descoberta fantástica no you tube, com Hermann Baumann...











sábado, setembro 22, 2007

I Congresso Nacional de Trompas

13 e 14 de Outubro 2007

Casa da Música

ACTIVIDADES:

Master-classes com:
Jonathan Luxton (Orq. Gulbenkian, ESML)
Bohdan Sebestik (Orq. Nacional do Porto, ESMAE)
Paulo Guerreiro (Orq. Sinfónica Portuguesa, ESART)
Ricardo Matosinhos (ARTAVE)
Bernardo Silva (Orq. Nacional do Porto, Univ. Aveiro)
Abel Pereira (Orq. Nacional do Porto, ANSO)

Demonstração das origens da trompa:
Ricardo Matosinhos (ARTAVE)

A Trompa na música electrónica:
Tod Scheldric (Orq. do Algarve)

Manutenção do Instrumento:
Rui Pedro (Companhia dos Sopros)

Recitais:
Abel Pereira (Orq. Nacional do Porto, ANSO)
Bernardo Silva (Orq. Nacional do Porto, Univ. Aveiro)
Simon Breyer (REMIX Ensemble)
Jonathan Luxton (Orq. Gulbenkian, ESML)
Vencedor do Prémio Jovens Músicos da RDP - Antena 2


Inscrições:
Casa da Música - Joana Almeida e Abel Pereira
Av. Boavista, 604-610, 4149-071 Porto
Telm. 961936161 e 916301713
E-mail: congressotrompa@gmail.com
www.casadamusica.com www.trompa.org

segunda-feira, setembro 17, 2007

Humor

"O humor retira peso às coisas. Não é por acaso que sempre que há uma tragédia, no dia seguinte já há piadas sobre a tragédia. Rir alivia o problema, torna-o mais manejável, e por isso mais humano."

Ricardo Araújo Pereira, in DN

quarta-feira, agosto 15, 2007

Colin Firth

Estreia esta semana o filme "A Última Legião" com Colin Firth no elenco. Sendo um dos meus actores preferidos aqui fica a minha homenagem...



terça-feira, agosto 14, 2007

A Riqueza

"O Papa Bento XVI disse, no domingo passado, que a riqueza «não garante a salvação e até pode comprometê-la seriamente». É verdade que o Papa vive num palácio, calça sapatos Prada e faz-se deslocar num Mercedes concebido especialmente para ele, mas, como chefe da Igreja, espera-se que faça todos os sacrifícios, incluindo os que podem comprometer seriamente a salvação. Não é justo esperar a mesma abnegação da generalidade dos fiéis, motivo pelo qual não deve surpreender que a perspectiva do lucro possa repugnar os melhores cristãos."

Ricardo Araújo Pereira, na crónica semanal "Boca do Inferno" da Visão

Quem já fez amor com um português

"Quem já fez amor com um português, ou vai parar aos cuidados cardiovasculares, de tanta emoção, ou descobre por que razão foi, para eles, tão fácil povoar meio mundo..."

Ângela Dutra de Menezes, na "Visão"

terça-feira, agosto 07, 2007

O que procuram homens e mulheres

"Os portugueses preferem mulheres inteligentes, elas querem-nos com sentido de humor; eles gostam que na cama elas lhes digam o que os torna especiais, elas querem sexo três a quatro vezes por semana e preliminares de pelo menos 15 minutos; eles querem muito barulho na cama, elas detestam ouvir obescenidades; os homens gostam que elas se produzam, às mulheres basta que eles tomem um duche e façam a barba. Desejos desencontrados? Nem por isso.

Um estudo internacional levado a cabo pelas revistas Cosmopolitan e Men's Health mostra que os homens estão a ficar mais sentimentalões nas relações e que as mulheres se assumem como cada vez mais exigentes nas questões físicas."

Maria Lopes, no "Público" de 5 Agosto 2007

terça-feira, julho 31, 2007

Iraque

"Oito milhõs de iraquianos, ou seja, um terço da população do Iraque, tem necessidade de receber ajuda humanitária com urgência, alerta um relatório ontem divulgado em Amã pela Oxfam e outras organizações não governamentais (ONG) iraquianas e internacionais.

"Enquanto que uma violência horrível domina a vida de milhões de pessoas comuns no Iraque, outra crise de outro tipo, devida ao impacto da guerra, evolui lentamente", constatam as ONG no documento, lembrando que nalguns casos a situação é já pior à que existia antes da invasão norte-americana em 2003."

Diário de Notícias, 31 de Julho 2007

Darfur, Sudão

"Violações graves, sistemáticas, extensas dos direitos humanos, nomeadamente mortes, violações, deslocações forçadas e ataques contra a população civil" são denunciadas pelos especialistas da ONU, em todo o vasto Sudão, que é o maior país da África, mas muito em especial no martirizado Darfur, do qual há particular conhecimento desde o mês de Fevereiro de 2003"

Jorge Heitor, no "Público" de 28 Julho 2007

segunda-feira, julho 30, 2007

Os Simpsons

Retrato dos Simpsons no suplemento "actual" do Expresso por José Alves Mendes

"Homer - Marido devoto, esquece as datas importantes e é o ganha-pão da família. Adora TV, «donuts» e dinheiro fácil e perde facilmente as estribeiras. Assinou um pacto com a sua própria inteligência: «Cérebro, não gostas de mim e eu não gosto de ti. Ajuda-me agora e prometo que vou continuar a afogar-te em cerveja.»

Marge - usa um penteado que só nela é praticável e é quem assegura a unidade da família quando, entre tontice e trapalhada, tudo parece desmoronar-se à sua volta. Estica sabiamente o salário de Homer e guarda para si, como migalhas, os sonhos de uma felicidade alternativa.

Bart - Vive sob um lema único: «Se faço uma maldade e ninguém está lá para ver, isso faz de mim um bom rapaz?» É o mais popular dos Simpsons. Reconhece na TV um modelo de justiça social desde que o programa espirre sangue. Tem bom fundo, o problema é trazê-lo à superfície. Crê ser um injustiçado... e ri-se.

Lisa - Herdou da mãe o bom senso e o sentido da solidariedade. Herdou do pai o apelido. Adora a escola, ansiosa por ser a porta-voz do saber, e despreza o dinheiro, por lhe ensinarem que o dólar foi inventado para aterrorizar o nosso semelhante. Springfield é do tamanho do planeta, por enquanto.

Maggie - Deixou cair a chupeta para falar uma única vez, na escuridão do quarto. Disse «paizinho», algo que Homer adorava ter ouvido. Está quase sempre contente, gatinha até à exaustão e é a bebé perfeita para viver ao colo. Não diz uma palavra, mas o olhar esbugalhado e cúmplice faz dela o fiel da balança, como se estivesse cercada por doidos. E não está?"

quarta-feira, julho 11, 2007

terça-feira, julho 03, 2007

À espreita de um ensaio...

O relógio marca 21h35. Estamos numa sala ampla. Cadeiras amontoadas. Estojos abertos, espalhados um pouco por todo o lado. Vazios. Os músicos entram e saem. A porta é convidativa, apesar da chuva e do frio que se faz sentir lá fora, permanece aberta. A música de fundo está, por agora, a cargo da Escola de Música da Banda Musical de Oliveira. Ouvem-se conversas, risos e gargalhadas. Gradualmente começa a fazer-se silêncio, os músicos param de tocar, uns levantam-se, outros sentam-se. As conversas são temporariamente interrompidas. Está tudo a postos. Silêncio. O maestro, figura negra e esguia, de braços erguidos, dá início ao ensaio da Banda Musical de Oliveira. São 21h50 e é hora do “Juízo Final” (Camile de Nordis). Sons ora graves, ora agudos, compõem melodias que nos transportam para lugares longínquos, sítios nunca antes visitados, sentimentos recônditos ou emoções tão bem guardadas. A música é isto mesmo. Desperta sensações e tem sempre uma história para nos contar.

O director artístico da banda, Alberto Castro Bastos, afirma que a sua grande preocupação é “incutir valores importantes nos jovens” e dá como exemplo a amizade. Há, de facto, uma grande preocupação cultural na banda. O maestro diz ainda, que procura não só “ensinar música”, mas também “tornar os jovens culturalmente mais ricos”. E como? (queremos nós saber). O maestro explica: Se por exemplo tocarmos uma música do Santana, vamos primeiro saber quem era, quais os seus valores, e são esses valores que vamos procurar incutir nos jovens”. A Banda Musical de Oliveira (B.M.O) é maioritariamente composta por jovens. Alexandrina Saramago, membro da banda há 3 anos e com apenas 15 anos, confessa a sua paixão pela música e afirma claramente que se sente “motivada” a continuar a sua carreira musical na Banda de Oliveira. A noite já vai longa mas o entusiasmo e a boa disposição dos músicos mantém-se. É hora de fazer uma pequena pausa. De batuta em riste o maestro dá indicações.

Mudança de pautas. Está na hora de fazer uma visita ao “Inferno” com C.S. Fiorenzo. Alguma confusão na leitura à primeira vista mas terminam todos ao mesmo tempo e no maior potencial. A calma restabelece-se com “A Pérola” de Ângelo Moreira. A banda está de parabéns no próximo dia 28 de Abril, e é com grande orgulho que Laurindo Barbosa, vice-presidente da direcção, se refere aos 225 anos da banda: “O nosso objectivo actual é mostrar ao país inteiro que em 225 anos estivemos sempre no activo”. Mais uma pausa. Tiram-se dúvidas. Mas logo se recomeça o ensaio. Ouvem-se vozes vindas da rua. A faixa alusiva ao aniversário da banda está agora a ser colocada na fachada da sede. A chuva cai de mansinho como que embalada ao som da música. Já chove menos, o ensaio também já está a terminar ao som de Santana num arranjo de Giancaulo Gazzani.
Até ao próximo ensaio.

quarta-feira, junho 27, 2007

Orquestra Sinfónica Juvenil de Caracas em Braga


Hoje, 27 de Junho, pelas 21h30, no Rossio da Sé em Braga, a Orquestra Sinfónica Juvenil de Chacao, de Caracas-Venezuela, apresenta-se em concerto, sob a direcção do maestro Florentino Mendonza.

A orquestra venezuelana inicia na cidade bracarense uma digressão em Portugal que passa igualmente por Coimbra, Fátima, Condeixa-a-Nova e Aveiro e durante a qual interpreta temas de Tchaikovsky, Rossini, Vivaldi, Marcos Portugal e Sousa Carvalho, entre outros.

A Orquestra Sinfónica Juvenil de Chacao é composta por 80 elementos entre os 11 e os 23 anos e pertence a um dos núcleos de orquestras sinfónicas espalhadas pelo país apoiadas pela Fundação do Estado para o Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela.

O concerto em Braga conta também com a participação da anfitriã Orquestra do Conservatório Calouste Gulbenkian, dirigida pelo maestro António Baptista.

terça-feira, junho 26, 2007

Trio Risoluto

Trio Risoluto

Paulo Ricardo Barbosa - Clarinete
Sílvia Pinto - Canto
Ana Patrícia Martins - Piano

Concerto a 6 Julho 2007, sexta-feira
21h30 - Auditório Adelina Caravana
Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga

quinta-feira, junho 07, 2007

terça-feira, maio 29, 2007

sexta-feira, maio 25, 2007

Quinteto Y


Foi no Festival de Música da Maia que o Quinteto Y fez a sua estreia absoluta, no passado sábado. John Aigi Hurn (trompete), Mário Costa (trompete), Francisco Piñeiro (trompa), Álvaro Pinto (trombone) e Adélio Carneiro (tuba) apresentaram obras de J. S. Bach, John Williams, entre outros, encerrando com um tango de Kompanek.

Victor Dias, no Portal da Cultura da Maia, destaca as "interpretações notáveis, plenas de brilho e de uma sonoridade muito bem timbrada, que permitiu ao público uma audição do fraseado, das várias vozes contempladas nas obras originais e nos arranjos para este género de quinteto, cheia de claridade musical e fino recorte estético."

quinta-feira, maio 24, 2007

Remix Ensemble (reportagem)

O Remix Ensemble, agrupamento residente da Casa da Música, dedica-se exclusivamente à música contemporânea. Reconhecido pela crítica internacional, tem feito diversas estreias mundiais, trabalhando com compositores e maestros conceituados. O sucesso do projecto passa também pelos bastidores.


Portas pretas e pesadas que se abrem para corredores largos onde não chega a luz do dia. Funcionários que arrastam caixotes cruzam-se com artistas que falam português, inglês e espanhol. É assim o piso -2, a cave dos ensaios da Casa da Música.


Na sala principal, alguns músicos conversam. Os acordes do violino de Heleen Hulst e as anotações do pianista inglês Jonathan Ayerst preparam o Concerto de câmara para piano, violino e 13 instrumentos de sopro de Alban Berg.

Simon Breyer toca trompa, mas enquanto não começa o ensaio, diverte-se a experimentar os estranhos instrumentos da percussão. Estranhos porque são recentes na composição da música erudita. São contemporâneos, tal como as obras que o Remix Ensemble interpreta.

Na música contemporânea explora-se o nunca antes experimentado. “Consigo tirar mais do que pensava ser possível, ir mais longe do que os limites”, diz Stephanie Wagner, flautista do Remix há três anos. Natural de Lisboa, emigrou para a Alemanha em busca de melhores oportunidades no mundo da música. Mas foi cá que, curiosamente, encontrou emprego. Continua a viver na Alemanha, mas regressa todos os meses para trabalhar no Remix, mais pelo ambiente de amizade do grupo. “O que nos faz especiais é a amizade que temos; é um grupo muito unido e isso faz a diferença. Uma coisa especial que não se pode comprar e que não existe numa orquestra nem noutros grupos.” Até porque numa orquestra há mais distância entre as pessoas: “é um grupo enorme e isso cria mais concorrência, rivalidade”, acrescenta.

“OK!”, diz o maestro alemão Peter Rundel e o silêncio torna-se absoluto. O Concerto de Câmara de Alban Berg abre com um solo de piano, seguido pelo violino. Depois entram os 13 instrumentos de sopro. Sons aparentemente descoordenados que não penetram facilmente no ouvido, mas não deixam indiferente o espectador mais distraído.

Jonathan desliza os dedos nas teclas com suavidade, não obstante a pujança do som. A naturalidade da sua execução dá a ideia de que é fácil reproduzir os desenhos assustadores da partitura. Pianista do Remix desde a sua fundação, Jonathan Ayerst elege “o alto nível dos músicos e a variedade do repertório” como “as melhores coisas” do grupo.

O pianíssimo é interrompido pelo fortíssimo de todo o Ensemble. Cada segundo é uma surpresa. Quando se espera um abrandar do ritmo ou da intensidade, eis que irrompe uma tempestade de sons atordoadores, estudados matematicamente. Nenhuma nota vem do acaso, apesar da aparente desordem.

O que Berg quis dizer quando fez calar o piano no momento em que entrava o violino? Segundo a explicação do programa assinada por Paulo Assis, o Concerto de Câmara (Kammerkonzert), “assinala um ponto de viragem da maior importância na obra de Alban Berg”, que se apresenta como “alguém que tudo revela sem nada revelar”.


O efeito das surdinas dos metais, os bouchés (sons fechados) e os cuivrés (sons abertos) das trompas, o vibrato da flauta, os glissandos do trombone. As notas agudíssimas do flautim, a bravura da requinta, a potência dos baixos do contra-fagote…

Peter Rundel dirige o ensaio sentado numa cadeira alta, pousada num estrado. Todos os músicos têm de ver e ser vistos pelo maestro. Um olho na partitura, outro no maestro. A direcção musical determina não só a interpretação da obra mas também o rumo do concerto, ao vivo e em directo, onde nada é exactamente igual aos ensaios.

Todos são solistas, não há papéis secundários. Apesar do potencial profissional de cada músico, André Quelhas, gestor do grupo, diz que “o Remix é mais do que a soma das suas individualidades” e o facto de estar “em constante crescimento e expansão, não tem dado para ninguém se acomodar”.


“Very good!”, diz Peter Rundel, quando o eco deixado pelos últimos acordes se desvanece no ar. Os músicos agradecem com um tímido aplauso. “Time for break!” é a frase do maestro que anuncia o intervalo.

A segunda parte do ensaio destina-se a trabalhar a interpretação. Peter Rundel interrompe várias vezes a execução para dar indicações. Não fala português, apenas inglês e, esporadicamente, alemão, a sua língua natal. Explica a José Fernando Silva, o oboista principal: “Tenta entrar no espírito do compositor! Tenta ser tu o compositor!”. “Penso que podes ser um bocadinho mais expressivo”, diz ao clarinetista Ricardo Alves. “More charm!!!”, acrescenta Rundel a sorrir.

O nível da execução não tira espaço a momentos de descontracção, troca de piadas e gargalhadas. Feitas as correcções, o ensaio termina com um simpático “Thank you!” de Peter Rundel. Desmontam-se os instrumentos, fecham-se os estojos. Até ao dia seguinte.

Sandra Bastos
Janeiro 2007
Reportagem para a disciplina de Complementos de Jornalismo

terça-feira, maio 22, 2007

Hotel Ruanda

Um herói. Paul Rusesabagina salvou mais de mil pessoas no Ruanda, em 1994. Como gerente do hotel belga Mille Collines, Paul não só protege a sua família do genocídio provocado pelos Hutus, como também refugiados Tutsis e Hutus, ao comprar favores dos militares e da milícia, mantendo assim, o hotel a salvo.

quarta-feira, maio 16, 2007

As lições de Beethoven com Haydn

“As lições com Haydn passam-se numa atmosfera cordial, por vezes à volta de uma chávena de chocolate, e o mestre está tão orgulhoso do seu aluno que não só faz com que o seu príncipe, Nicolau Esterházy, o convide para Eisenstadt no início do Verão de 1793, como também lhe empresta dinheiro e apoia o seu pedido junto do príncipe eleitor de Colónia para prosseguir a sua formação em melhores condições financeiras.”

Élisabeth Brisson, em “Ludwig van Beethoven”

Beethoven entre Bona e Viena

“[Beethoven] Já conhece Viena, uma vez que aí passou duas semanas no início da Primavera de 1787. Qual não terá sido a sua decepção por ter ficado tão pouco tempo numa cidade que ele sentia ser feita à medida da sua ambição! “Aqui em Bona, o destino não me é favorável”, dizia ele quando voltou a casa. Regressara pois com a firma convicção de aí conseguir encontrar a sua realização como artista: “Se algum dia me tornar um grande homem, vós tereis contribuído para tal”, escreve ele a Neefe, pouco mais de um ano após a sua chegada a Viena, na mesma altura em que copia esta citação no seu caderno de viagem: “Coragem! Apesar de todas as fraquezas do corpo, o meu génio tem de triunfar. – Eis-me com vinte e cinco anos, é preciso que este ano revele o homem completo. – Não deverá haver nada mais a fazer.”

Élisabeth Brisson, em “Ludwig van Beethoven”

sexta-feira, maio 04, 2007

O Norte como ele é, escrito por Miguel Esteves Cardoso...

«Primeiro, as verdades.
O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.

Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.

No Norte a comida é melhor.

O vinho é melhor.

O serviço é melhor.

Os preços são mais baixos.

Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.

Estas são as verdades do Norte de Portugal.

Mas há uma verdade maior.

É que só o Norte existe. O Sul não existe.

As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.

Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.

No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?

No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.

Não haja enganos.

Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.

Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.

Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.

Mas o Norte é onde Portugal começa.

Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.

Deus nos livre , mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular.

É esta a verdade.

Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.

O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.

Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores. Depois percebi.

Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".

Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?».

Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, março 19, 2007

Viver sempre também cansa

Viver sempre também cansa.

O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.

Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sob uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
«Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela.»

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...


José Gomes Ferreira

quarta-feira, março 14, 2007

Não tenho de provar nada

"Não tenho de provar nada. Se neste momento Deus dissesse: "Plácido, já não cantas mais.", eu caía de joelhos, e agradecia tudo o que me deu."

Plácido Domingo, in "Pública" (11.03.07)

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Quarteto Ébano na abertura do Fantasporto


23 de Fevereiro de 2007 (Sexta-feira)

Quarteto Ébano

CONCERTO DE ABERTURA DO FANTASPORTO
Teatro Rivoli, 21h00.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Ewan McGregor

Uma justa homenagem a Ewan MacGregor...

Trompista não, actor-cantor sim, perfeitamente !



Será mesmo trompista?



As coisas que se descobrem no You Tube :)

"Soap Opera" no Theatro Circo

Foi a 15 e 16 de Fevereiro que o Theatro Circo recebeu o alunos do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian para mais um musical. Mais um porque desde 2003 que esta instituição de ensino nos brinda anualmente com um musical. Depois da ópera “Dido e Eneida”, apresentaram um género diferente, uma "soap opera" baseada nos álbuns "A Night at the Opera" e "A Day at the Races" dos "Queen", num arranjo feito pelo professor André Ruiz.

Produzido pela comunidade escolar e tendo em palco mais de 100 alunos, Soap Opera é um espectáculo rock. A prova de que a flexibilidade de um músico não se limita ao domínio erudito. Música é sempre música!

“Somebody To Love” e “Bohemian Rhapsody” não deixaram os espectadores indiferentes. A orquestra esteve bem melhor do que o coro mas os meus aplausos rendem-se à revelação dos talentos de Luís Peixoto e Gabriela Milhazes, embora todos me surpreendessem pela positiva.

Adorei o espectáculo! Muitos parabéns!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Ministra da Educação em Braga

Maria de Lurdes Rodrigues visitou ontem de manhã o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. A ministra teve a oportunidade de conhecer o funcionamento de uma escola artística (da primário ao 12ºano), neste caso, dedicada ao ensino da música.

O objectivo da visita prende-se com a preparação de uma reunião agendada para a próxima semana onde se irá debater o ensino artístico.

domingo, fevereiro 11, 2007

Babel



Um filme a não perder...

Torre de Babel


Segundo a Bílbia, a Torre de Babel foi um edifício enorme construído pelos descendentes de Noé com o objectivo de chegar ao céu.
Deus ficou irritado com a ambição desmedida dos homens e trocou-lhes as voltas (ou as línguas). Assim, fez com que todos os trabalhadores da obra começassem a falar várias línguas tornando impossível a comunicação entre eles. Como não se conseguiam entender, abandonaram a construção e seguiram caminhos diferentes.