quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Artigo de Ricardo Araújo Pereira na Visão

Opinião de Ricardo Araújo Pereira
Circunspecção de mau gosto


"Julgo que a opinião da directora da DREN, Margarida Moreira, segundo a qual a ameaça a uma professora com uma arma de plástico foi uma brincadeira de mau gosto, é uma brincadeira de mau gosto. Mais uma vez se prova que a crítica de cinema é extremamente subjectiva. Eu também vi o filme no YouTube e não dei pela brincadeira de mau gosto. Vi dois ou três encapuzados rodearem uma professora e, enquanto um ergue os punhos e saltita junto dela, imitando um pugilista em combate, outro aponta-lhe uma arma e pergunta: «E agora, vai dar-me positiva ou não?» Na qualidade de apreciador de brincadeiras de mau gosto, fiquei bastante desapontado por não ter detectado esta antes da ajuda de Margarida Moreira.

Vejo-me então forçado a dizer, em defesa das brincadeiras de mau gosto, que, no meu entendimento, as brincadeiras de mau gosto têm duas características encantadoras: primeiro, são brincadeiras; segundo, são de mau gosto. Brincar é saudável, e o mau gosto tem sido muito subvalorizado. No entanto, aquilo que o filme captado na escola do Cerco mostra aproxima-se mais do crime do que da brincadeira. E os crimes, pensava eu, não são de bom-gosto nem de mau gosto. Para mim, estavam um pouco para além disso – o que é, aliás, uma das características encantadoras dos crimes. Se, como diz Margarida Moreira, o que se vê no vídeo se enquadra no âmbito da brincadeira de mau gosto, creio que acaba de se abrir todo um novo domínio de actividade para milhares de brincalhões que, até hoje, estavam convencidos, tal como eu, que o resultado de uma brincadeira é ligeiramente diferente do efeito que puxar de uma arma, mesmo falsa, no Bairro do Cerco, produz.

O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto. Trata-se da mesma directora que suspendeu o professor Fernando Charrua por, numa conversa privada, ele ter feito um comentário desagradável, ou até insultuoso, sobre o primeiro-ministro. Ora, eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o primeiro-ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos."

Propaganda a Motel


quarta-feira, fevereiro 11, 2009

domingo, janeiro 11, 2009

sábado, dezembro 20, 2008

Nelson Évora

"Nelson Évora já tem um lugar garantido na história do desporto nacional. Afinal, até agora só outros três atletas tinham conseguido trazer para Portugal uma medalha de ouro olímpica. Se os seus méritos desportivos são inquestionáveis, já a sua bondade não deixa de surpreender.
Antes de partir para Pequim, o atleta português nascido na Costa do Marfim competiu em Espanha, onde o seu rival cubano na conquista das medalhas dos Jogos Olímpicos, revelou problemas físicos por não ter palmilhas. Nelson Évora prometeu-lhe então que trataria de resolver o problema. E assim o fez. Já em Pequim ofereceu ao cubano as palmilhas que lhe permitiriam saltar sem problemas. Durante a competição o atleta de Fidel Castro chegou a estar à frente na luta pelas medalhas.

«O cubano estava sem equipa de fisioterapia para o apoiar e sem conseguir saltar. Disse-lhe que lhe fazia chegar umas palmilhas para ver se ele conseguia saltar nos olímpicos. Quatro dias antes da qualificação recebi as palmilhas e dei-lhas. Pôde treinar com elas e ficou em quarto lugar. O desporto é assim: dentro da pista tentamos ser os melhores e fora da pista temos de ser uns para os outros. É o espírito desportivo, o espírito olímpico», confessa Nelson ao SOL.
Num mundo onde ganhar a todo o custo é regra, é bom saber que há quem tenha valores e que não põe a glória à frente de tudo. A solidariedade demonstrada por Nelson Évora revela um grande campeão. Que não tem medo da concorrência, que prefere lutar com os seus adversários a vê-los ficar de fora por não terem umas simples palmilhas. Atingir o ponto mais alto da montanha, como o atleta descreve a conquista da medalha de ouro, tem outro sabor quando todos partem em igualdade.
Os melhores não precisam de jogar sujo para vencer. Se Nelson Évora é um exemplo para a juventude pelas suas vitórias, estou em crer que mais o será pela sua atitude. Está duplamente de parabéns."

Antártida




Boate

sábado, outubro 04, 2008

Limpeza Alternativa

"A Terra está poluída. O ar, a água, o solo e, consequentemente, os alimentos estão contaminados pelos efeitos nefastos das acções humanas, que vão desequilibrando o ambiente. Precisamos de reverter este quadro, pensando, com responsabilidade, nas nossas escolhas e acções. Vivemos numa nave única, um planeta que já dá mostras evidentes de que, diante de tantas agressões, o equilíbrio torna-se mais difícil a cada momento. Precisamos, então, de repensar, reflectir e reorientar as nossas escolhas.

Uma fonte importante de poluição ambiental, que afecta tanto a nossa saúde como a saúde do planeta, é a escolha do que usamos para limpar a nossa casa. Na sua maioria, os produtos de limpeza são fabricados com substâncias derivadas da indústria petroquímica, reconhecidamente uma das maiores fontes de poluição das águas e da atmosfera. Os líquidos coloridos e perfumados escondem vários componentes nocivos. Será que precisamos mesmo desses produtos? Por que não utilizar soluções mais naturais e económicas?

Depende de nós diminuir a quantidade de elementos tóxicos que chegam às águas, ao ar e ao solo da Terra, através dos ralos das nossas cozinhas e casas de banho, e também do ar da nossa própria casa. A cada dia chegam ao mercado produtos de limpeza mais fortes e teoricamente mais eficientes, mas que são fontes de desequilíbrio, e de doença, para o organismo humano e para o planeta.

A Agência de Protecção ao Meio Ambiente dos Estados Unidos afirma, em relatório, que a poluição do ar interior das casas é um dos problemas de saúde ambiental mais importantes do país. A maioria das casas possui uma concentração por aérea de substâncias químicas nocivas de 2 a 70 vezes mais alta do que os ambientes externos, porque os produtos de limpeza e de higiene libertam vapores tóxicos quando são usados. Foram detectadas 150 substâncias químicas nas casas, com as quais as pessoas entram em contacto sem os cuidados e a protecção dos laboratórios (luvas, máscaras, óculos, etc.), já que são as mesmas substâncias químicas manuseadas em laboratórios. E este quadro é o mesmo em Portugal. Por isso, quando pensar em limpar a casa, pense também na saúde do seu corpo e do planeta, escolhendo produtos simples e naturais, que não aumentem ainda mais a poluição existente. Assim podemos limpar não apenas a nossa casa, mas também ajudar a limpar o planeta.

Soluções Alternativas:
Limpar Tudo: Solução de 4 colheres de sopa de bicarbonato de sódio num litro de água morna. Adicionar uma colher de sopa de vinagre branco, ou sumo de limão, para dissolver a gordura.

Desentupir a pia: Deitar no ralo um punhado de bicarbonato de sódio, algumas colheres de vinagre branco e água a ferver.

Limpar o forno: Misturar bicarbonato de sódio, sal, água quente e vinagre, e passar com uma esponja. Remover com um pano.
Limpar os vidros: Passar uma solução com água e vinagre, e depois usar jornal para dar brilho.
Desodorizante de ambiente: 4 colheres de sopa de vinagre num pratinho colocado sob um móvel. As plantas também funcionam como óptimos purificadores do ar.
Para encerar: Misturar uma parte de óleo vegetal, como a linhaça, com outra parte de sumo de limão ou vinagre, e aplicar com uma flanela.
Para limpar carpetes: Fazer uma solução de água com vinagre branco.

Para lustrar móveis: Fazer uma solução de uma parte de sumo de limão e duas partes de óleo vegetal. Dar brilho com uma flanela.
Desinfectante sanitário: Misturar bicarbonato de sódio com vinagre.
Limpar pratas: Mergulhar o objecto num recipiente com água morna, uma colher de chá de bicarbonato de sódio e uma colher de sal. Dar brilho com um pano macio.

Limpar cobre: Esfregar uma mistura de limão e sal, lavar e secar com um pano bem limpo.
Limpar bronze: O sumo de limão clareia qualquer peça de bronze, que deve ser enxaguada em seguida.

Limpar objectos dourados: Utilizar, esfregando, limão ou uma mistura de água e vinagre em partes iguais.
Limpar objectos de latão: Polir as peças com molho inglês e, para conservar o brilho, esfregar azeite.

Limpar fórmica: Para tirar manchas de tinta esferográfica, e deixar a fórmica limpa, esfregar com álcool ou com uma solução de água com vinagre.
Espantar moscas e mosquitos: Folhas de louro, eucalipto e manjericão, maceradas em água ou espalhadas pelo ambiente.

Evitar traças: Usar cânfora, em vez de naftalina. É tão eficiente e menos tóxica.
Afastar pulgas: Lavar os animais de estimação com água e sabonete (de preferência, feito com óleo de neem, que possui uma acção repelente sem ser tóxica). Enxugar. Aplicar a seguinte solução para manter as pulgas à distância: 2 colheres de sopa de alecrim fervidas num litro de água. Espalhar também pela casa folhas de erva-de-Santa-Maria e poejo.

Afastar os parasitas das plantas: Colocar no liquidificador 3 cebolas, 1 cabeça de alho, 2 pimentas-malagueta e 1 colher de sabão em barra. Bater com meio litro de água e espalhar esta mistura nas plantas. Pode-se também colocar alguns dentes de alho num pouco de água (se possível, de chuva) e deixar impregnar por cerca de dez dias. Usar, então, em um spray, para pulverizar as plantas.

Amaciador de roupa: Ao enxaguar a roupa, colocar meio copo de vinagre branco na última água. Além de amaciar, o vinagre realça as cores e impede que manchem.

Pasta de limpeza: Em vez de desperdiçar os restos de sabão (de preferência, biodegradável), reaproveite-os numa excelente pasta de limpeza. Basta deixar os restos de sabão de molho num pouco de água (o necessário para formar uma pasta) e, depois, misturar uma colher de vinagre e duas colheres de açúcar. Está pronta a sua pasta de limpeza!

Adubo natural: Um verdadeiro adubo para as plantas pode ser obtido com substâncias normalmente desprezadas e desperdiçadas. A água onde cozinha as batatas (sem sal e fria), a água da lavagem do arroz, os restos de chá preto, borra do café - tudo isso funciona como um excelente adubo. Da mesma maneira, as cascas de batata e de cenoura podem ser colocadas directamente nos vasos para ajudar o desenvolvimento das plantas.

Passar bem: Produtos que facilitam a passagem de roupa contêm, geralmente, muitas substâncias tóxicas e perigosas. A solução feita com uma colher de sopa de polvilho dissolvida num litro de água cumpre o mesmo objectivo, ao ser aplicada nas roupas a serem passadas, sem poluir.

Pesticida natural: Ferver folhas de ruibarbo, durante meia hora, em quatro litros de água. Acrescentar uma colher de chá de sabão de coco, para a mistura aderir às folhas e expulsar os pulgões.

Tira cheiros: Numa divisão recém-pintada, o cheiro da tinta fresca desaparecerá mais depressa se deixar no ambiente uma bacia cheia de água com algumas rodelas de cebola ou folhas de laranjeira.

Tirar "ruído": Se a porta estiver a ranger, fazer uma mistura de raspa de grafite (ponta de lápis) e algumas gotas de óleo de cozinha. Colocar aos poucos nas dobradiças, fazendo um movimento de abrir e fechar a porta, para que a mistura penetre bem nas dobradiças.

Tirar manchas: Manchas de gordura são retiradas com uma mistura de água quente com sabão e umas gotas de detergente (de preferência, biodegradável). Lavar e, se restar algum vestígio, polvilhar talco e deixar por algumas horas; esfregar um pedaço de cebola também resolve. Manchas de frutas e doces desaparecem com álcool ou vinagre branco, e manchas de tinta de escrever devem ser lavadas com leite. Na falta do leite, também pode ser usado um punhado de sal humedecido com limão e colocado sobre a mancha, lavando-se em seguida. Manchas de café desaparecem esfregando imediatamente, e com paciência, uma pedrinha de gelo até que a mancha suma.

Tirar humidade: Colocar um recipiente com pedaços de carvão no fundo dos armários, ou então pendurar pedaços de giz. Sempre com o cuidado de não sujar as roupas.

Fórmula mágica: A velha combinação de água quente e sabão (de preferência, biodegradável) continua a ser o melhor detergente. Limpa pisos de cerâmica, ladrilhos e azulejos, tira manchas de parede e a gordura das superfícies. E, melhor ainda, não ajuda a poluir a Terra."

segunda-feira, agosto 18, 2008

Novo endereço de Sanhas

O blogue Sanhas tem um novo endereço:

http://sanhas.wordpress.com/

O acontecimento é imprevisível

"Para o nascimento e para a morte não há explicação plausível porque não há sentido racional que os compreenda numa lógica causal, num antes e num depois. Por isso, a notícia é no mundo moderno o negativo da racionalidade, no sentido fotográfico do termo. O racional é da ordem do previsível, da sucessão monótona das causas, regida por regularidades e por leis; o acontecimento é imprevisível, irrompe acidentalmente à superfície epidérmica dos corpos como reflexo inesperado, como efeito sem causa, como puro atributo."

Adriano Duarte Rodrigues

terça-feira, agosto 12, 2008

Clara Pinto Correia no Dança Comigo



Manifesto dos músicos da Orquestra do Algarve

"Caros colegas,

Nós, os membros da Orquestra do Algarve, queremos informar-vos dos drásticos acontecimentos que ocorreram e pedir-lhes solidariedade nestes tempos tão difíceis para nós.

Em Junho passado, e depois de muitas tentativas de negociações pacíficas se terem esgotado, todos os músicos da nossa orquestra iniciaram um processo em tribunal contra a Associação Musical do Algarve para combater a ilegalidade dos nossos contratos de trabalho e as condições de trabalho a que estamos sujeitos.

O objectivo deste processo é assegurar contratos legais para todos os músicos da AO, assim como criar um conjunto de regras ou Regulamentos que irão servir para nos proteger do Capitalismo sem restrição alguma existente nesta orquestra. Qualquer músico que tenha tocado com a Orquestra do Algarve sabe como esta orquestra, que é administrada por um vendedor de piscinas, é tratada. Apesar do tempo que temos nesta região, não é seguramente um paraíso.

Esperamos que os frutos deste processo possam trazer um ambiente de trabalho que elevará o nome e reputação desta orquestra a nível nacional e internacional.

Desde que iniciamos o processo em Julho deste ano, que a administração trabalha desesperadamente para nos intimidar. A semana passada, 31 de Julho, deram-nos um ultimato: Ou desistíamos do processo ou não iríamos ter trabalho em Setembro. Nós não desistimos. Nós iremos estar presentes no dia 1 de Setembro e iremos fazer tudo para proteger os nossos empregos e para isso precisamos da vossa ajuda.

Se a administração da OA vos chamar para reforçarem a orquestra, ou se ouvirem que abriu um lugar na OA, por favor recusem até que esta luta esteja terminada. A aceitação de qualquer trabalho servirá única e exclusivamente para complicar a nossa luta. Ajudem-nos a melhorar as condições de trabalho da OA. Ajudem-nos a fazer desta orquestra algo que todas as pessoas se possam orgulhar.

Novamente, pedimos a vossa solidariedade nestes momentos tão difíceis.Por Favor, passem esta mensagem a todos os vossos amigos e músicos que conheçam.

Obrigado por tudo,

O comité de músicos da Orquestra do Algarve"

segunda-feira, agosto 11, 2008

Hiroshima: quem a viu e quem a vê











Dia Internacional do Homem

Porque os homens também merecem...

Ser homem é:
- Sentir a dor física de uma bolada nos tomates;
- A tortura de ter de usar fato e gravata no Verão ;
- O suplício de fazer a barba todos os dias;
- O desespero das cuecas apertadas;
- A loucura que é fingir indiferença diante de uma mulher sem soutien;
- A loucura de resistir olhar para umas belas pernas com uma mini-saia;
- Viver sob o permanente risco de ter de andar à porrada com outro homem;
- Vigiar o grelhador no churrasco ao fim-de-semana, enquanto todos se divertem;
- Ter sempre de resolver os problemas do carro;
- Ter de reparar na roupa nova dela;
- Ter de reparar que ela mudou de perfume;
- Ter de reparar que ela mudou a tinta do cabelo de Imedia 713 para 731 loiro/bege;
- Ter de reparar que ela cortou o cabelo, mesmo que seja só 1cm;
- Ter de jamais reparar que ela está com um pouco de celulite;
- Ter de jamais dizer que ela engordou, mesmo que seja a pura verdade;
- Ter a obrigação de ser um atleta sexual;
- Ter a suspeita de que ela, com todos aqueles suspiros e gemidos, só está atentar incentivar-nos;
- Ouvir um NÃO, virar para o lado conformado e dormir, apesar da vontade de partir o quarto todo e fazer um escândalo ;
- Ter de ouvi-la dizer que está sem roupa, quando o problema é onde colocar novos armários para guardar mais roupa;
- Ter de almoçar aos domingos na casa dos sogros, discutir política com aquele velho reaça, tratar bem os sobrinhos, controlar-se para não olhar para o decote da irmã dela e não arrear um arraial de porrada ao irmão dela, sacana do caraças que vem sempre pedir dinheiro emprestado.
- Entalar a gaita na porcaria do fecho. São duas dores...... É o entalanço e depois abrir o fecho outra vez......

O amor é...


Corações


sexta-feira, julho 18, 2008

Informação

Faço todo o tipo de trabalho escrito, desde pequenos textos até livros ou biografias.

Contactem-me através do email:

bastos_sandra@hotmail.com

Sandra Bastos, licenciada em Comunicação Social, com livros editados e experiência como jornalista

sábado, julho 12, 2008

A Medicina na Voz do Povo

Carlos Barreira da Costa, médico Otorrinolaringologista da mui nobre e Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro 'A Medicina na Voz do Povo', com o inestimável contributo de muitos colegas de profissão, trinta anos de histórias, crenças e dizeres ouvidos durante o exercício desta peculiar forma de apostolado que é a prática da medicina. E dele não resisti a extrair verdadeiras jóias deste tão pouco conhecido léxico que decidi compartilhar convosco.

O diálogo com um paciente com patologia da boca, olhos, ouvidos, nariz e garganta é sempre um desafio para o clínico:
'A minha expectoração é limpa, assim branquinha, parece com sua licença espermatozóides'.
'Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, ou o caralho, o nariz não se destapa'.
'Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho'.
'Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido'.
'Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída'.
'Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saíam'.
'Tenho a língua cheia de Áfricas'.
'Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor'.
'O dente arrecolhia pus e na altura em que arrecolhia às imidulas infeccionava-as'.
'A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor'.

As perturbações da fala impacientam o doente:
'Na voz sinto aquilo tudo embuzinado'.
'Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta'.
'Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais'.
'O meu pai morreu de tísica na laringe'.

Os 'problemas da cabeça' são muito frequentes:
'Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João'.
'Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou lá o que é...'.
'Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós'.
'Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...'.
'A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, assim aos tombos, a trabalhar'.
'Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal'.

Os aparelhos genital e urinário são objecto de queixas sui generis:
'Venho aqui mostrar a parreca'.
'A minha pardalona está a mudar de cor'. 'Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas'.'Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza'.
'Fazem aqui o Papa Micau (Papanicolau)?'
'Quantos filhos teve?' - pergunta o médico. 'Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três'.
'Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma foda mal dada'.
'Tenho de ser operado ao stick. Já fui operado aos estículos'.
'Quando estou de pau feito... a puta verga'.
'O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã'.

As dores da coluna e do aparelho muscular e esquelético são difíceis de suportar:
'Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a tensão alta'.
'O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura'.
'Já tenho os ossos desclassificados'. 'Alem das itroses tenho classificação ossal'.
'O meu reumatismo é climático'.
'É uma dor insepulcrável'.
'Tenho artroses remodeladas e de densidade forte'.
'Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala'.

O português bebe e fuma muito e desculpa-se com frequência:
'Tomo um vinho que não me assobe à cabeça'.
'Eu abuso um pouco da água do Luso'.
'Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool'
'Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem'.
'Eu sou um fumador invertebrado'.

O aparelho digestivo origina sempre muitas queixas:
'Fui operado ao panquecas'.
'Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina'.
'Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo'.
'Eu era muito encharcado a essa coisa da azia'.
'Senhor Doutor a minha mulher tem umas almorródias que com a sua licença nem dá um peido'.
'Tenho pedra na basílica'.
'O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e pinga pela via de trás'.
'Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer papa'.
'Fiz uma mamografia ao intestino'.
'O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os trenos (drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda)'.

Os medicamentos e os seus efeitos prestam-se às maiores confusões:
'Ando a tomar o Esperma Canulado'- Espasmo Canulase
'Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião' - Sermion
'Andei a tomar umas injecções de Esferovite' - Parenterovit
'Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada' - Piprilim
'Agora estou melhor, tomo o Bate Certo' - Betaserc
'Tomo o Sigerom e o Chico Bem' - Stugeron e Gincoben
'Ando a tomar o Castro Leão' - Castilium
'Tomei Sexovir' - Isovir
'Tomo uma cábulas à noite'.
'Tomei uns comprimidos 'jaunes', assim amarelados'.
'Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas'.
'Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha'.
'Estava a ficar com os abéticos no sangue'.
'Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e alienações'.
'Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e fico logo melhor'.
'Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem actua'.
'Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas'.

O que os doentes pensam do médico:
'Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns'.
'Especialista, médico, mas entendido!'.
'Não sou muito afluente de vir aos médicos'. 'Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde acho-vos uns estapores'.
'Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a engasular ninguém'.
'Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela coisa de não morrer'.

Em relação ao doente o humor deve sempre prevalecer sobre a sisudez e o distanciamento.
Senão atentem neste 'clássico':'Ó Senhor Doutor, e eu posso tomar estes comprimidos com a menstruação? Ao que o médico responde: 'Claro que pode. Mas se os tomar com água é capaz de não ser pior ideia. Pelo menos sabe melhor.'